RADAR é uma curadoria do Tudo Sobre Incentivos, um espaço dedicado a comentários e indicações de conteúdos relacionados ao mundo da fidelização e do engajamento. Nesta edição do Radar TSI #295, reunimos leituras sobre a percepção de metade dos brasileiros de que a sustentabilidade das empresas funciona mais como estratégia de marketing, a influência do valor da compra na escolha entre Pix e parcelamento, o descompasso entre adesão e uso dos programas de fidelidade e muito mais.
Metade dos brasileiros acredita que as empresas usam a sustentabilidade principalmente como estratégia de marketing, segundo o relatório ESG e Sustentabilidade no Brasil 2026, do Opinion Box. Apenas 15% enxergam essas iniciativas como compromisso real, enquanto 31% consideram que há uma combinação entre propósito e interesse comercial. A pesquisa ouviu 1.025 pessoas pela internet, em maio deste ano, com margem de erro de três pontos percentuais.
Para o relacionamento com o cliente, o dado mostra que comunicar uma iniciativa sustentável já não é suficiente para gerar confiança. Faz diferença mostrar resultado, explicar o que foi feito e manter coerência entre discurso, produto e operação. Quando o consumidor percebe a sustentabilidade apenas como argumento de campanha, a comunicação pode produzir o efeito contrário e aumentar a desconfiança. Nesse tema, vínculo se constrói menos pela promessa e mais pela capacidade de comprovar que a prática acompanha o posicionamento.
Dados da Nuvemshop mostram que o Pix respondeu por 50,2% dos pedidos concluídos em maio nas mais de 100 mil lojas atendidas pela plataforma no Brasil. Quando o critério passa a ser o valor financeiro movimentado, porém, sua participação cai para 41%. A diferença indica que o pagamento instantâneo ganha mais espaço em compras de menor valor, enquanto o parcelamento continua pesando quando o consumidor precisa assumir um gasto maior.
A mesma matéria mostra como os incentivos também precisam acompanhar esse contexto. Em abril, pedidos com frete grátis tiveram tíquete médio de R$ 418,80, 65% acima dos R$ 253,90 registrados nas compras sem benefício. Faz diferença entender quando o cliente valoriza agilidade, quando precisa de prazo e quando um benefício condicionado pode ajudá-lo a completar a cesta. No relacionamento, conveniência também é saber adaptar pagamento e incentivo ao tipo de compra.
Esse relatório da Upside sobre o mercado estadunidense mostra que o número médio de programas por consumidor passou de 10,9 para 17,4 entre 2014 e 2025, alta de 60%, segundo dados do Bond Loyalty Report reunidos no documento. No mesmo período, o número médio de programas usados ativamente avançou apenas 8%, de 7,8 para 8,4. A Upside chama esse descompasso de “platô da fidelidade”: o estágio em que as inscrições continuam aumentando, mas a capacidade do programa de influenciar comportamento e gerar resultado perde força.
A intenção ao trazer esses dados não é transportá-los diretamente para o Brasil, mas observar um movimento que também merece atenção por aqui. Como o TSI já discutiu em uma análise sobre bases numerosas e pouco engajamento, inscrição não significa uso, recorrência ou vínculo. A relevância do relatório está em reforçar que, em mercados mais maduros e saturados, continuar perseguindo cadastros pode ampliar a base sem aumentar a influência do programa. A régua precisa avançar para membros ativos, frequência, resposta às ativações e mudança real de comportamento.
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A Espanha venceu a Copa do Mundo de 2026, encerrada no último domingo, mas os resultados das marcas mostram que o valor do evento foi além da exposição durante os jogos. Uma campanha do Itaú, por exemplo, gerou 11 vezes mais inscrições em promoções no aplicativo do que o melhor resultado promocional anterior do banco. Outras empresas também registraram crescimento de vendas e interação ao conectar o torneio a categorias de consumo, ofertas e conteúdos acompanhados pelo público em diferentes canais.
O aprendizado mais relevante é que grandes eventos funcionam melhor quando a atenção conquistada consegue continuar em um canal ou comportamento ligado à marca. Isso também reduz a dependência do resultado esportivo: o Brasil saiu nas oitavas de final, mas as campanhas estruturadas em torno da experiência do torcedor continuaram gerando interação e negócios. A oportunidade para o relacionamento não está apenas em aparecer quando todos estão olhando, mas em transformar esse momento emocional em cadastro, experimentação, recorrência ou uma nova razão para o cliente permanecer próximo.
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