RADAR é uma curadoria do Tudo Sobre Incentivos, um espaço dedicado a comentários e indicações de conteúdos relacionados ao mundo da fidelização e do engajamento. Nesta edição do Radar TSI #289, reunimos leituras sobre o peso de confiança e agilidade na experiência do cliente, o uso de comportamento digital para orientar estratégias de marca, os programas mais lembrados pelos paulistanos e muito mais.
A 11ª edição do CX Trends, estudo da Opinion Box em parceria com a Octadesk, mostra que a experiência do cliente continua sendo moldada menos por grandes promessas tecnológicas e mais pela combinação entre confiança, conveniência e respostas rápidas. O levantamento indica, por exemplo, que 74% dos consumidores dizem que a personalização influencia a decisão de compra, 48% já interagem com IA no atendimento e 88% participam de alguma iniciativa de fidelidade.
Ao mesmo tempo, os dados mostram que a tecnologia, sozinha, não resolve tudo: 63% consideram essencial poder ser transferidos para um atendente humano quando necessário. O estudo também reforça que o consumidor brasileiro quer experiências mais fluidas e personalizadas, mas continua muito atento ao básico. 56% desistem de comprar quando não confiam na empresa, e 85% associam respostas rápidas à fidelidade e à confiança na marca. CX, personalização e loyalty até podem ganhar novas camadas com IA e omnicanalidade, mas continuam dependendo de algo bem concreto: fazer o cliente sentir que a marca funciona, cumpre o que promete e facilita sua jornada.
O Boticário estruturou sua campanha de Dia dos Namorados a partir de um estudo de comportamento digital desenvolvido pela W3Haus, que analisou 147 mil conversas online registradas entre maio de 2025 e maio de 2026. O levantamento identificou diferentes perfis e dinâmicas de compra, com destaque para o fator surpresa, que reuniu cerca de 15 mil menções, além do crescimento de práticas mais combinadas, como listas de desejos e carrinhos compartilhados, e das chamadas “indiretas digitais”, em que sugestões de presente são publicadas de forma sutil nas redes sociais.
O caso chama atenção porque mostra uma marca transformando escuta social em operação comercial mais precisa. A leitura dos comportamentos levou à ativação de ferramentas como Clique & Retire, vendas por WhatsApp, Turbo Cashback e a plataforma Mais Presente, conectando insight cultural e conveniência de compra. Um bom exemplo de como comportamento do consumidor, linguagem digital e estrutura multicanal passam a atuar juntos na disputa por conversão em datas sazonais.
Matéria da Folha mostra que Livelo, Latam Pass e Smiles lideram a lembrança espontânea dos paulistanos quando o assunto é programa de pontos e fidelidade. No levantamento do Datafolha, Livelo e Latam Pass apareceram com 10% das menções, enquanto a Smiles teve 8%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, a leitura é de empate triplo entre os três programas.
O ranking fica mais interessante quando a própria reportagem ajuda a explicar o que sustenta essa percepção. A Livelo aparece associada a conveniência, rede ampla de parceiros e uso dos pontos no dia a dia; o Latam Pass reforça a força da malha aérea e a simplificação do acúmulo e do uso das milhas; e a Smiles aposta na expansão da rede de resgate e em benefícios ligados à experiência de viagem. No conjunto, a matéria sugere que os programas mais lembrados são justamente aqueles que conseguem equilibrar força aspiracional e presença mais recorrente na rotina do consumidor.
Estudo da Restaurant Loyalty Specialists, realizado com cerca de 50 executivos seniores de marcas de restaurantes nos Estados Unidos, mostra que o setor ainda vive uma distância relevante entre discurso e prática quando o assunto é personalização. Embora as empresas falem em jornadas mais individualizadas, integração entre canais e mensuração mais precisa de resultados, a operação continua bastante limitada por falta de equipe, tecnologia e organização de dados.
Os números ajudam a mostrar esse cenário. Segundo o estudo, 75% das marcas ainda trabalham principalmente com comunicações amplas, mais de 90% priorizam usar todos os canais disponíveis em vez de respeitar a preferência do cliente, e menos de 15% conseguem executar ofertas automatizadas com base no histórico de consumo. Mesmo sendo um exemplo de fora, o caso é interessante porque mostra como diferentes mercados ainda esbarram em barreiras parecidas quando tentam transformar personalização em rotina — especialmente em setores já maduros em fidelização.
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