RADAR é uma curadoria do Tudo Sobre Incentivos, um espaço dedicado a comentários e indicações de conteúdos relacionados ao mundo da fidelização e do engajamento. Nesta edição do Radar TSI #308, mostramos que o número de pontos e milhas expirados no Brasil chegou ao menor nível histórico, segundo a ABEMF, além de um novo guia brasileiro sobre fidelização, experiências que transformam pontos em acesso exclusivo e uma parceria internacional que movimenta o mercado brasileiro.
O TSI acompanhou, durante o 9º Fórum Brasileiro de Fidelização, em São Paulo, a divulgação dos novos indicadores da ABEMF para o segundo trimestre de 2026. Entre os destaques, a taxa de breakage — que mede o percentual de pontos e milhas que expiram sem ser utilizados — caiu para 10,3%, o menor patamar histórico registrado pela associação. No período, o número de cadastros nos programas chegou a 317,9 milhões, foram realizadas mais de 13,5 milhões de transações e as empresas associadas somaram R$ 6,6 bilhões em faturamento.
A redução do breakage acontece em um cenário de crescimento tanto na emissão quanto no resgate: foram 292,7 bilhões de pontos e milhas emitidos e 248,5 bilhões resgatados no trimestre. Para a ABEMF, o movimento indica que os participantes estão usando melhor os programas e incorporando a fidelização ao cotidiano. Os dados também ajudam a mostrar um mercado em que a expansão da base vem acompanhada de maior utilização dos benefícios, e não apenas de novos cadastros.
Os profissionais de fidelização no Brasil agora têm um novo guia prático. Fábio Santoro, sócio-fundador da Dotz e da LAB Loyalty Academy Brasil, e Marcelo Oliveira, CEO da Valuenet e professor PhD na ESPM, lançaram o livro Loyalty Management de A a Z, que reúne conceitos, metodologias, ferramentas e casos do mercado brasileiro. A obra aborda temas como experiência do cliente, CRM, inteligência artificial, gamificação, personalização, tecnologia, métricas e retorno sobre investimento, mas parte de uma distinção central: ter um programa de fidelidade não significa, necessariamente, colocar o cliente no centro das decisões.
Os autores traduzem essa diferença pela ideia de um “l minúsculo” e um “L maiúsculo”: de um lado, ações, campanhas e benefícios; de outro, uma visão de fidelização incorporada à estratégia, aos processos e às decisões da empresa. A leitura reforça um ponto importante para o mercado: programas são ferramentas relevantes, mas a construção do relacionamento depende também de como a organização usa dados, desenha experiências e toma decisões a partir das necessidades dos clientes. Vale conferir.
Quem acompanha o TSI já sabe que fidelização não se resume à troca transacional de pontos por descontos ou produtos. Benefícios não financeiros, como reconhecimento, pertencimento, exclusividade e experiências, também ajudam a construir vínculos mais fortes com o cliente. Uma reportagem da Travel + Leisure Asia mostra como programas de redes hoteleiras estão colocando essa lógica em prática ao transformar pontos em acessos que dificilmente seriam encontrados da mesma forma fora do programa.
O Marriott Bonvoy, por exemplo, levou membros para três noites na ilha de Paros, na Grécia, ao lado do apresentador e escritor Phil Rosenthal, com degustação de vinhos, refeições e passeio de barco. Accor, Hyatt e Hilton também oferecem experiências ligadas a shows, futebol, Fórmula 1 e encontros com artistas e atletas. Mais do que substituir as recompensas tradicionais, essas iniciativas acrescentam outra camada à proposta de valor: usar os pontos para criar momentos de exclusividade, proximidade e memória que ajudam a diferenciar o vínculo com o programa.
A estadunidense Loyalty Juggernaut firmou parceria com a Loyalty Academy Brasil para ampliar sua atuação no país. Sua plataforma de gestão de programas já é utilizada na América Latina por empresas como FEMSA, Liverpool, Viva Aerobus e Banco Compartamos. A aproximação com o Brasil, segundo a empresa, deve combinar tecnologia e experiência internacional com o conhecimento local da organização brasileira, tanto para programas existentes quanto para novas iniciativas.
No anúncio, as empresas destacaram a diversidade de modelos presentes no mercado brasileiro, que vão de coalizões voltadas ao consumidor e programas entre empresas em expansão no agronegócio e na construção civil até companhias aéreas que passaram da lógica de milhagem para ecossistemas com parceiros, marketplaces, clubes de assinatura e meios de pagamento. Mais do que a chegada de uma nova solução, a parceria é mais um sinal de um mercado que reúne diferentes modelos de fidelização e desperta o interesse de fornecedores internacionais especializados.
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