[Radar TSI #285] Fidelização em farmácias, criadores, IA no varejo e +
//Engajador Rhebeka VasconcelosRADAR é uma curadoria do Tudo Sobre Incentivos, um espaço dedicado a comentários e indicações de conteúdos relacionados ao mundo da fidelização e do engajamento. Nesta edição do Radar TSI #285, reunimos leituras sobre o peso dos programas de fidelidade na escolha de farmácias, um caso de loyalty desenhado para criadores de conteúdo, o uso ainda tímido da IA em frentes mais estratégicas do varejo e muito mais.
[OPINION BOX]
Em farmácias, programas de fidelidade já pesam na decisão de compra
A pesquisa Uso de Medicamentos no Brasil 2026, da Opinion Box, mostra um dado interessante: 44% dos brasileiros dizem que programas de fidelidade influenciam a escolha da farmácia onde compram. Esse percentual coloca o loyalty no mesmo campo de decisão de fatores como atendimento e já à frente de critérios como formas de pagamento, marca da rede, experiência no site ou aplicativo e navegação digital. Ao mesmo tempo, a categoria segue fortemente guiada por fundamentos mais imediatos, como preço (72%), promoção (59%) e proximidade (56%).
O dado ganha ainda mais sentido quando olhamos para a recorrência da categoria. 92% dos brasileiros compram em farmácias pelo menos uma vez por mês, e 48% pesquisam preços em canais físicos e online antes de decidir. Esse cenário ajuda a ler, com mais profundidade, um movimento que já aparecia no Panorama da Fidelização 2025 do TSI + ABEMF: farmácias avançam como categoria relevante para programas de fidelidade porque operam em uma jornada frequente, comparável e altamente sensível a valor percebido. Nesse contexto, a fidelização parece funcionar menos como gatilho isolado e mais como reforço competitivo dentro de uma rotina de compra já estabelecida.
[TARGET]
Um caso de loyalty desenhado para criadores de conteúdo
A Target, uma das maiores redes de varejo dos Estados Unidos, anunciou dois programas voltados a criadores de conteúdo — o Club Target e o Target Ambassadors. No primeiro, direcionado a criadores mais cotidianos, a marca aposta em uma experiência gamificada, com desafios semanais, progressão por níveis e recompensas como gift cards, destaque em seus canais e oportunidades de comissão. No segundo, voltado a criadores mais estabelecidos, a lógica passa por desempenho em vendas, acesso ampliado à marca, comissões maiores e incentivos adicionais.
O aspecto mais interessante desse movimento é mostrar que estratégias de loyalty também podem ser desenhadas para ecossistemas de influência e conteúdo. Em vez de tratar criadores apenas como mídia ou afiliados, a Target passa a organizá-los em jornadas de engajamento, reconhecimento e evolução dentro do relacionamento com a marca. É um caso que conversa, inclusive, com discussões que já passaram pelo TSI sobre fidelização aplicada a criadores de conteúdo, times de futebol e outras frentes, como mostramos na entrevista com Ariel Alexandre, do Gotas, que você pode conferir aqui.
ACESSE O CONTEÚDO COMPLETO (EM INGLÊS)
[EXAME]
O varejo ainda usa pouco a IA em frentes mais estratégicas, como fidelização e experiência de compra
O varejo brasileiro já reconhece a urgência da Inteligência Artificial, mas ainda concentra sua adoção em usos mais operacionais e fáceis de justificar, como geração de criativos, chatbots e antifraude, segundo a reportagem. Enquanto isso, aplicações com impacto mais direto sobre conversão, relacionamento e crescimento seguem menos exploradas. Entre os exemplos citados no texto estão a otimização de checkout com IA, ainda ausente em 63% das empresas pesquisadas, e os programas de fidelidade preditivos, mencionados como uma das grandes oportunidades ainda pouco aproveitadas no Brasil.
No contexto da reportagem, essa fidelização preditiva aparece como o uso da tecnologia para antecipar comportamentos e tornar ofertas, benefícios e interações mais aderentes ao cliente, em vez de operar apenas com campanhas amplas ou respostas reativas. O texto também reforça que o maior entrave não é custo, mas falta de conhecimento interno sobre IA, apontada por 46% dos executivos. O tema, aliás, já apareceu por aqui no e-book do TSI O Fator IA na Lealdade, que aprofunda o papel da tecnologia na evolução dos programas.
[ESTADÃO]
Quando a fidelização depende de desconto, clareza deixa de ser detalhe
Entrou em vigor em Campinas (SP) uma lei que obriga postos de combustíveis a destacarem, nos painéis, o preço real pago na bomba, e não valores promocionais condicionados a aplicativos, cadastros ou programas de fidelidade. Os descontos continuam permitidos, mas passam a aparecer com menos destaque e acompanhados de informações claras sobre as condições de acesso. O ponto mais relevante aqui é o que esse movimento revela sobre a própria lógica da fidelização.
Benefícios condicionados podem ser instrumentos legítimos de relacionamento, mas perdem força quando a mecânica embaralha a percepção de preço ou faz o consumidor sentir que a vantagem prometida não é, de fato, acessível. Em programas de loyalty, clareza não é detalhe operacional: ela é parte da proposta de valor. Quando a regra é compreensível, o benefício tende a reforçar confiança, recorrência e adesão; quando não é, o incentivo corre o risco de ser percebido mais como barreira do que como recompensa.
Gostou deste conteúdo ou quer falar com um especialista? Comente ou envie sua opinião, dúvidas, sugestões e ideias para nosso email [email protected]


