Na temporada de 2017, em média, 5 milhões de times foram escalados por rodada. Os números do Cartola FC, o fantasy game mais popular no Brasil, são de causar inveja em qualquer grande programa de fidelidade do mercado. Mas o que esse tipo de jogo tem feito de tão especial para conquistar o engajamento de usuários? Para responder essa pergunta, precisamos conhecer um pouco mais sobre eles.

O que são fantasy games?

Também conhecidos como fantasy sports, são jogos online em que os participantes escalam equipes virtuais com jogadores de times que existem na vida real. Se você nunca jogou, a gente explica como funciona esse game, que é um sucesso de engajamento de usuários. 

Eles permitem que os participantes montem times escolhendo: atletas, técnicos, escudo, cor das camisas, nome do time e as ligas para participar. Essa brincadeira movimenta um mercado de 7 bilhões de dólares, entre os EUA e Canadá, com mais de 59 milhões de jogadores cadastrados, segundo números da Fantasy Sports Trade Association. E, além da NFL (National Football League), existem fantasy games da NBA (National Basketball Association), da série A do Campeonato Brasileiro de Futebol, entre outras.

O Cartola FC, fantasy game mais conhecido pelos brasileiros, foi criado em 2005 pelo SporTV como uma estratégia de relacionamento do canal. A iniciativa logo tomou proporções bem maiores funcionando, também, como ferramenta de comunicação e interação muito eficaz. 

O engajamento de usuários é incentivado diariamente por meio de um aplicativo para smartphones, chamadas nos canais da Globosat, redes sociais e nas transmissões ao vivo das partidas. Os próprios jogadores e ex-jogadores participam do game, montam seus times e desafiam os participantes a vencê-los em ligas públicas.

O uso do jogo é gratuito, mas existe uma versão paga (Cartola Pro) que dá direito a alguns benefícios extras: participar de mais de uma liga clássica privada, customizar uniformes com itens exclusivos, entre outras vantagens.

 

Imagem: divulgação Cartola FC.

Divulgação Cartola FC 2017.

O que podemos aprender com o Cartola?

Quem convive com amantes do futebol, já sabe que a brincadeira engaja mesmo. E se você gostaria de saber a fórmula mágica para o engajamento de tantos participantes, nós já avisamos que ela não existe. Mas o que têm funcionado no Cartola FC são estratégias de interação bem conhecidas e que podem muito bem ser aproveitadas para aumentar o engajamento do seu programa de fidelidade ou incentivo. Vejamos algumas delas: 

A gamificação em toda sua glória

No artigo em que falamos sobre a palestra da desenvolvedora de games, Jane McGonial, comentamos o paralelo que ela fez entre o comportamento do jogador virtual e pessoas do mundo real. Algumas características fundamentais dos jogadores de games, descritas por McGonial, são a base de tudo que buscamos em estratégias de engajamento. No quadro abaixo, relacionamos esses comportamentos e mostramos como eles são incentivados no Cartola FC.  Engajamento de usuários

Comunicação certeira 

O Cartola FC não criou apenas um jeito bem descontraído de se comunicar, o que faz todo sentido para o seu público, mas também se apropriou de alguns termos conhecidos no mundo do futebol e criou suas próprias gírias, memes e jargões. 

Cartoleiro: como é chamado o usuário, em referência ao nome do jogo, que, por sua vez, faz referência a como são conhecidos os presidentes, ou membros da diretoria, de grandes times de futebol brasileiros.

Cartoleta: a moeda do jogo. Cada jogador começa com 100 e pode ir perdendo ou ganhando, de acordo com a pontuação (valorização) dos jogadores do seu time.

Mito: o vencedor da rodada, do mês ou campeonato.

Lanterninha: a palavra já era bastante utilizada no mundo futebolístico e se refere ao último colocado.

Mercado aberto: período em que é possível comprar e vender jogadores.

Parça: é como são chamados os participantes do game, na comunicação pelo app ou site. Parça (diminutivo de parceiro) cria uma relação de intimidade quase que instantânea com o usuário do jogo.

A régua de comunicação do jogo também tem bastante influência no engajamento de usuários. Lembretes com mensagens push avisando que o mercado está próximo de fechar, ou seja, que o usuário precisa escalar seu time; mensagens com dicas de como escalar; e até vídeos nas redes sociais com jogadores reais “pedindo” para serem escalados.

Também são frequentes as transmissões ao vivo nas redes sociais com especialistas montando seus times e, claro, notícias sobre as equipes do campeonato brasileiro, mostrando: quem serão os prováveis escalados pelos técnicos da vida real, quem está machucado, quem está suspenso, etc.

Recompensas emocionais

Já falamos aqui no TSI sobre a importância de se agregar valor emocional às recompensas. No Cartola FC, a menos que o usuário seja assinante da versão paga do jogo, ele não receberá qualquer premiação “real” por ficar em primeiro lugar, e isso não diminui o engajamento dos participantes do jogo.

 “Os jogos virtuais oferecem recompensas que a vida real não consegue dar. Eles nos ensinam, nos inspiram e nos envolvem de uma maneira pela qual a sociedade não consegue fazer”
– Jane McGonial

Às vezes, tudo que aquele jogador está precisando para esquecer seus problemas do dia a dia é de uma vitória. E poder mostrar para os seus parceiros de jogo que ele é o melhor naquele momento, se transforma em uma recompensa marcante  

 


3 lições do Cartola FC para o engajamento de usuários em programas de fidelidade ou incentivo

Conhecendo melhor o Cartola FC, podemos tirar algumas lições que podem ser utilizadas em estratégias de fidelização e incentivo

Lição nº 01: Evite atritos para adesão

É possível participar do Cartola FC fazendo login pelo Facebook, ou preenchendo um cadastro que solicita apenas nome e e-mail. Pensando nisso, faça a reflexão: quantos atritos há para adesão no seu programa? O cadastro é muito complexo?

Entendemos a necessidade de solicitar informações dos participantes, mas você pode conseguir esses dados aos poucos. Por exemplo: cadastre o usuário solicitando apenas nome e e-mail e, posteriormente, lance um desafio (oferecendo pontos) para completarem as informações em seus cadastros.

Lição nº 02: A gamificação é muito mais do que ranking e badges: aposte na emoção

Uma ação de relacionamento realmente gamificada precisa entender o que motiva os seus públicos e criar desafios alcançáveis para que eles possam ser recompensados e, por consequência, consigam satisfazer algumas de suas necessidades emocionais. A grande recompensa no Cartola é o sentimento de vitória. Aquele que você alcança quando seu time ganha um campeonato, quando você passa no vestibular ou em uma prova de seleção difícil. Aquela sensação de realização que não tem preço.

E o mais legal da gamificação é que ela é uma ótima forma de fornecer esse tipo de recompensa. Um jeito econômico de reconhecer o desempenho espetacular de alguns participantes e de continuar incentivando aqueles que ainda não chegaram lá: acreditar que é possível ganhar.

Lição nº 03: Fale do jeito que seu público quer escutar 

A escolha dos canais de comunicação corretos, da linguagem e a construção de uma régua de relacionamento personalizada é essencial para alcançar o engajamento dos usuários. Logo no lançamento de um programa não teremos acesso a tantas informações que permitam personalizar a experiência dos participantes, mas, exatamente por isso, é necessário que os programas estejam em constante evolução. 

Uma estratégia de relacionamento precisa ser contínua, mas nada impede que um programa de fidelidade ou incentivo seja planejado em fases, com espaço para ir se adequando às necessidades do público e, dessa maneira, conseguir conquistar engajamento. 

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Gamificação em programas de incentivo