[Radar TSI #288] Resgates cotidianos, compra com IA, dados pessoais e +
//Engajador Rhebeka VasconcelosRADAR é uma curadoria do Tudo Sobre Incentivos, um espaço dedicado a comentários e indicações de conteúdos relacionados ao mundo da fidelização e do engajamento. Nesta edição do Radar TSI #288, reunimos leituras sobre o avanço dos resgates não aéreos nos programas de fidelidade, a influência da Inteligência Artificial na jornada de compra, o debate sobre descontos atrelados a dados pessoais e muito mais.
[R7]
Resgates não aéreos ganham espaço e reforçam uso mais cotidiano dos programas, segundo ABEMF
Dados da ABEMF mostram que, no 4º trimestre de 2025, os programas de fidelidade emitiram 258,1 bilhões de pontos e milhas, alta de 7% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o volume resgatado chegou a 231 bilhões, crescimento de 9%. O ponto mais interessante do recorte está na composição desses resgates: embora as passagens aéreas ainda liderem, 32,7% do total já foram trocados por produtos e serviços não aéreos, como descontos e cashback — um dos maiores patamares para um quarto trimestre desde 2019.
O movimento chama atenção porque reforça uma tendência que já vem aparecendo no setor: programas de fidelidade cada vez mais conectados ao uso cotidiano, e não apenas a resgates aspiracionais. O texto ainda destaca o crescimento de 32,9% no número de transações, para 14,4 milhões, e uma nova queda no breakage, que recuou para 11,4%, o menor nível dos últimos cinco anos. No conjunto, os dados sugerem um mercado em que o valor percebido passa menos pelo saldo acumulado e mais pela capacidade de transformar pontos em benefícios efetivamente usados.
[MEIO & MENSAGEM]
IA encurta a jornada de compra e muda a forma como marcas são descobertas pelos brasileiros
Já trouxemos aqui alguns estudos sobre como a Inteligência Artificial já entrou de vez na rotina de consumo dos brasileiros. Agora, temos mais alguns dados com a pesquisa Nova Lógica de Compra, conduzida por empresas da Stefanini Marketing com 1.000 compradores online. Segundo o estudo, 9 em cada 10 consumidores com acesso à internet usam IA na hora de comprar, e 52% pretendem intensificar esse uso nos próximos meses. Os dados sugerem que a tecnologia não atua só como apoio pontual: ela já interfere diretamente em etapas como descoberta, comparação e decisão.
O ponto mais interessante está na reorganização da jornada. A pesquisa mostra que 97% dizem economizar tempo de pesquisa com IA, 96% sentem que ela explica prós e contras com clareza, e 94% reconhecem que ela compara alternativas melhor do que fariam por conta própria. Ao mesmo tempo, 90% afirmam ter conhecido novas marcas por meio da tecnologia, e 31% já compraram após recomendações feitas por ela. O recorte ajuda a mostrar que a disputa por visibilidade depende também de como as marcas aparecem nas respostas geradas por modelos de IA.
[VALOR ECONÔMICO]
Descontos atrelados a dados entram cada vez mais no radar de transparência e consentimento
Essa matéria mostra que uma decisão da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, com alcance nacional, estabelece que farmácias não podem exigir CPF ou outros dados pessoais como condição para oferecer descontos de balcão e promoções de prateleira. Pelo entendimento da Justiça, o preço promocional deve ser acessível independentemente de cadastro prévio, e a entrada em programas de fidelidade ou a coleta de dados precisa ocorrer apenas após informação clara sobre finalidade, tempo de armazenamento e eventual compartilhamento dessas informações.
O caso conversa com um movimento que já apareceu por aqui no Radar: o de que benefícios condicionados continuam legítimos como estratégia de relacionamento, mas vêm sendo cada vez mais pressionados a operar com clareza, transparência e consentimento efetivamente informado. Se antes a discussão se concentrava mais na comunicação da oferta, agora ela avança também para a forma como dados pessoais entram nessa equação. Para o mercado de fidelização, o recado parece ser o mesmo: quando a vantagem depende de uma troca pouco clara, o valor percebido se fragiliza — e a confiança também.
[BUSINESS WIRE]
Um case de comunidade usada para testar, ouvir e cocriar em escala
O Sam’s Club divulgou resultados de sua Member’s Mark Community nos Estados Unidos, onde a iniciativa já ultrapassou 150 mil participantes e triplicou de tamanho em dois anos. A comunidade é formada por membros que optam por participar de atividades ligadas à Member’s Mark, marca própria da companhia, testando produtos, respondendo enquetes, votando em opções e dando feedback ao longo do desenvolvimento dos itens. Os dados da empresa mostram que 15 mil pessoas já participam de cinco ou mais atividades por mês, e o grupo acumulou quase meio milhão de interações até agora.
O caso chama atenção como exemplo concreto de uma marca estruturando comunidade e cocriação com membros em escala. Também se destaca por trazer números que nem sempre aparecem com tanta abertura: crescimento da participação, uso recorrente da base e aplicação direta do feedback no desenvolvimento da marca própria. Para quem acompanha programas de relacionamento e membership, é um exemplo interessante de comunidade sendo usada não só para engajar, mas também para influenciar produto e experiência.
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